sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Sem sentido, Sem vida!!!!!

Que sentimento é este, que louco, que doido, que dolorido. Que sofre, que chora, que lamenta, que machuca, que sangra, que me corroi por dentro... Será solidão? Será unutilidade? O que será? Alguém pode me dizer? Não, ninguém pode me dizer, porque ninguém sabe nem mesma eu sei o que sinto, parece loucura, mas não é. Perco as vezes o sentindo de mim mesma, afinal tudo que faço sempre "não faço mais que a minha obrigação"... Penso em tudo, penso em todos, e quem faz por mim????!!!!!!


Não, as coisas não estão no lugar.


Esse sentimento de inutilidade não é normal.
Sentir-se inútil é algo desesperador.
Menos importante do que um bibelô que enfeita uma sala cheia de badulaques.
Sentir-se inútil como um nada.
Um ninguém.

A solidão que sinto é um assombro.
As veias saltam e eu me encolho como se fosse uma bola de pano.
Não sinto nem vontade de chorar.
Sequer sinto pena de mim mesma.
Porque a solidão me deixou vazia.
As desejos sumiram. Arrumaram as malas e deixaram um vácuo dolorido.
Se é gente, tem que ter desejos.
Mas o que fazer da vida sem desejos?

Não sentir vontade de sair de casa, de chupar uma bala, de comer um chocolate
De namorar, de se enfeitar, de comer, de namorar...
Ainda estou viva?
Estou.
Mas não sirvo mais pra nada.
Me espanto com esse sentimento doído.
É como se fosse um corpo estranho no organismo.
É como uma faca que vai cortando lentamente em pequenas fatias,
E o sangue vai caindo lentamente...gotas de loucura, pequenininhas.


O pedaço de céu que vejo da janela é a unica fonte de vida que me permito
A solidão me afastou de todos, de mim mesma, e estou aqui como se tivesse partido.
Mas ainda nem cheguei.


Será que alguém precisa de mim?
Eu não preciso de ninguém.
Me deixem aqui no meu quarto.
Eu dou conta das minhas paranóias.Eu dou conta do meu viver.
Mesmo sem viver.
Me deixem aqui, vestida nesse maldito penhoar vermelho, olhando esse armário sem puxadores.

Sou inútil.
Não sirvo nem pra chamar o marcineiro.
Pra quê?

Ninguém mora nessa casa mesmo.
Postado por Diario da Fafi às Segunda-feira, Março 17, 2008
Minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite.
Clarice Lispector

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

A descoberta do amor

“[...] Quando criança, e depois adolescente, fui precoce em muitas coisas. Em sentir um ambiente, por exemplo, em apreender a atmosfera íntima de uma pessoa. Por outro lado, longe de precoce, estava em incrível atraso em relação a outras coisas importantes. Continuo, aliás, atrasada em muitos terrenos. Nada posso fazer: parece que há em mim um lado infantil que não cresce jamais.

Até mais que treze anos, por exemplo, eu estava em atraso quanto ao que os americanos chamam de fatos da vida. Essa expressão se refere à relação profunda de amor entre um homem e uma mulher, da qual nascem os filhos. [...] Depois, com o decorrer de mais tempo, em vez de me sentir escandalizada pelo modo como uma mulher e um homem se unem, passei a achar esse modo de uma grande perfeição. E também de grande delicadeza. Já então eu me transformara numa mocinha alta, pensativa, rebelde, tudo misturado a bastante selvageria e muita timidez.

Antes de me reconciliar com o processo da vida, no entanto, sofri muito, o que poderia ter sido evitado se um adulto responsável se tivesse encarregado de me contar como era o amor. [...] Porque o mais surpreendente é que, mesmo depois de saber de tudo, o mistério continuou intacto. Embora eu saiba que de uma planta brota uma flor, continuo surpreendida com os caminhos secretos da natureza. E se continuo até hoje com pudor não é porque ache vergonhoso, é por pudor apenas feminino.

Pois juro que a vida é bonita.”

Clarice Lispector

VOCÊ JÁ FEZ ALGUÉM SENTIR-SE IMPORTANTE HOJE?

Uma das maiores motivações humanas é saber-se importante.

Não me refiro àquela “importância” dos abastados e poderosos. Essa é fútil, porque se impõe pela riqueza ou pelo poder – e acaba quando essas coisas acabam.
Refiro-me à importância imaterial da sua utilidade, do seu valor pessoal, da qualidade da sua essência e da sua existência. Aquela que é construída pelo Ser e não pelo Ter. Essa importância é que é verdadeiramente importante, porque o Ser é perene e o Ter é passageiro.
Em suma, ser importante é ser útil, é saber que ocupa com mérito e direito seu espaço na vida.
O mais maravilhoso de tudo isso, é que cada um nós pode fazer alguém sentir-se importante. Todo dia. Várias vezes ao dia. Basta reconhecermos e declararmos explicitamente seu valor e sua importância para nós.
O mundo anda cheio de pessoas carentes e ressentidas porque as outras se esquecem dessa ação singela de deixar que elas ouçam ou percebam como são ou foram importantes para nós, num determinado momento.
Lembra-se de como foi importante aquele sujeito que lhe ensinou uma direção segura, quando você estava perdido numa rua desconhecida? Ou aquele que, sem conhecê-lo, emprestou-lhe um dinheiro – ainda que muito pouco – o suficiente para completar a conta do supermercado, do ingresso do cinema ou da passagem do ônibus? E o que dizer daquela senhora desconhecida que o amparou e providenciou um copo d’água quando você sentiu-se mal na fila?
Nessas e em muitas outras ocasiões, a gente costuma dizer um rápido “muito obrigado”, para logo em seguida esquecer a importância e a beleza daquele ato voluntário, o qual certamente mereceria um agradecimento menos automático e muito mais caloroso, mais humano. Aquelas – e muitas outras - são pessoas que, embora tenham sido importantes, passam pela nossa vida sem maiores registros afetivos e logo são esquecidas.
No entanto, é muito mais fácil lembrar daquelas que fazem o oposto, que o desqualificam ou o ignoram, em ações opostas à arte de fazer o outro sentir-se importante. E isso acontece com freqüência porque, ironicamente, a crítica flui com muito mais facilidade da boca humana do que o elogio – e assim as pessoas vão deixando de se sentirem importantes.
No mundo corporativo, os gestores têm às mãos uma ótima oportunidade de fazer cada membro de suas equipes sentir-se importante: é durante o chamado “feedback”, ocasião em que é manifestada sua opinião sobre o desempenho do colega.
O “feedback” não foi criado para ser um instrumento de crítica e desqualificação. É justamente o contrário: deve ser uma oportunidade para identificar as competências que devem ser aperfeiçoadas. Mas, sobretudo, deve ser um instrumento para reconhecer e expressar a importância daquela pessoa na equipe – porque se não o fosse, não deveria estar na equipe. Se está, é porque é importante, ainda que precise desenvolver algumas habilidades ou conhecimentos.
Como “feedback” não tem dia nem hora para ser dado, isso significa que qualquer gestor pode fazer com que, frequentemente, qualquer membro da sua equipe se sinta importante – de preferência todo dia. Bastam algumas poucas palavras. Ou, às vezes, um pequeno gesto.
Eu não tenho a menor dúvida de que cada leitor tem um monte de gente importante à sua volta - em casa ou no trabalho. A questão é: eles sabem disso? Você já lhes disse?
Se você fizer a sua parte, você também vai se tornar muito importante para alguém. E ao sentir como isso é gratificante, você certamente vai querer compartilhar esse sentimento e fazer com que outros sintam a mesma coisa. Chame a isso de “efeito dominó” ou “bola de neve”. Não importa o nome, importa a ação.
Talvez a origem fundamental desse sentimento de prazer ao nos percebermos importantes, esteja na consciência definitiva de que, em resumo, importante é aquele que cumpre com dignidade a sua Missão.
Texto de F.S.